quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Inércia

Emoções fluem como água
E me empurram para dentro de mim
Águas vem e vão fluindo lentamente
Até ganharem a força necessária
Para jorrarem para longe

Olho para todos os lados
Sem ver absolutamente nada
Procuro pacientemente uma maneira
De cuspir as emoções para fora
Sem que seja necessário
Que a dor me deixe aos gritos

Mas nada disso acontece...
Simplesmente me deixo levar por aí
Limito-me a não pensar, não sentir
A não ver nenhum rosto, nenhum sorriso

Estou parada em frente ao tempo
Espero que por mim ele passe
Assim como as águas
Que dentro de mim vem e vão

Não sei o que me aguarda
Mas agora eu sei aonde devo ir

E não tenho pressa...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

E até lá...

Passam-se os anos
Nada permanece igual
As crianças riem
As vezes brigam

E crescem...
Crescem rápido!
Para o bem
E para o mal

Elevo meu espírito
Acima da compreensão humana
Ninguém entende o porquê
Das minhas decisões

Tão radical! - dizem alguns
Não vai conseguir! - falam outros
Você não deve ficar sozinha!
Ele vem e diz...

Eu não estou só!
Não mais... e pra nunca mais...
Se eu disser que é por amor
Quem vai acreditar?

O amor que poucos conhecem
E muitos dos que sentem
Nem sabem o que é

Em um mundo tão mesquinho
Onde impera a futilidade
Quem irá compreender?

A solidão não me preoculpa
A carne um dia apodrecerá
Não vou manchar o sentimento
Com uma garrafa de vinho
Que depois de derramada
Deixa uma mancha rubra
Que não mais sairá

Da veste branca em que me fiz
Não resta nada além de certeza
E coragem para seguir adiante
Pagando o preço que o amor impõe
Mesmo que isso pareça
A maior de todas as loucuras

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Insanidade

Pelo sangue fui resgatado
Pelo sangue me tornei assassino
Pelo sangue me vendi

Desprezando o primeiro resgate
Percorri um caminho sem volta
Que eu mesmo escolhi

Para onde irei sozinho
Guardar meu desespero
Se não há outro caminho?

Minha sanidade obscura
Lamenta profundamente ter esquecido
A inocência branca e pura

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Träumerei

Como o prometido, ontem dormi
Pensando nos sonhos que tivemos
Sonhamos sempre acordados
Voávamos longe... juntos e para sempre

Um instante pode ser eterno?

Sorrindo então adormeci
Não foi em seu colo
Não foi em seus braços
Não foi sentindo em meu rosto
O calor da tua boca
Mas, mesmo assim
Você me fez feliz!

Novamente sorrindo despertei
Não foi ao seu lado
Não foi olhando em seus olhos
Nem pude ouvir sua voz
Como tanto desejei...
Mas, mesmo assim
Continuo sorrindo feliz!

Seu rosto ilumina meus pensamentos
Mais que somente uma fresta:
Uma enorme explosão de luz
Acho que gosto de ficar cega...

Finalmente posso voltar
Mudar o curso, a direção
Usarei minha própria luz
Para iluminar outras trevas
Com a certeza de que você merece
Muito mais do que eu posso lhe dar

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Destroços

Atravesso minha história
Enquanto percorro os destroços
De uma vida que, um dia
Será destruída para sempre!

Por todo o chão vejo pedaços
Pedaços de sonhos, de pesadelos
Pedaços de minha mente
Pedaços de mim mesma

Tudo gira em torno a mim
O sorriso em choro se transforma
Sem uma única fresta de luz
Me vejo só na escuridão

Espero a hora em que meu peito
Começará novamente a explodir
Trazendo tudo abaixo
Implodindo o que restou

Uma vida que já não existe
Um quase nada de esperança
E uma e outra lágrima negra
Que insiste em cair no chão

Virtude

Tudo o que não deveria
Alcançou meu coração
O sentimento foi desvirtuado
Pelo medo, pela tolice

Quem não merece, tem tudo
A quem merece, não dou nada
Essa é minha justa troca
A balança pende para o caos

Mas não será assim sempre
Quando chegar a hora
Para qual lado penderá?

Para o lado que me der tudo?
Para o lado que me der nada?
Para o amor ou o egoísmo?

Seja qual for meu destino
Já não está nas minhas mãos
Minhas decisões serão tomadas
Segundo o merecimento de outros...

Mas todos sentirão o rigor quando
A minha justiça anunciar sua sentença
Não sei o que é ter piedade
E, no final, ninguém me escapará

sábado, 18 de setembro de 2010

Equilíbrio


Hoje resolvi deixar tudo
Em minha casa quando parti
O medo, a dor, o desespero
E o bem que tanto prezo

Resolvi lançar-me as trevas
Segui seu conselho
A luz foi ofuscada
Estendo minhas mãos ao caos

Enfim me vejo em frente a um espelho
Chamando de volta quem forcei a partir
Pedindo ajuda a quem reneguei
E que, tantas vezes, não deixei voltar

Eis que ela vem sem demora...
Você adoraria vê-la!
O olhar que enfeitiça
A mão que acaricia enquanto fere

A linha finalmente se rompeu!
Sangue é o que ela deseja
Sangue é o que eu quero!
Imponho agora a outros
O que foi dado a mim

Então delicio-me em ver
As vidas que passam por minhas mãos
Vidas que posso salvar ou destruir
Enquanto aguardo sem paciência
Um equilíbrio que nunca vai chegar

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Victoria


Quem teve medo
Trancou-se em seu mundo
Quem não acreditava
Quase entrou em desespero

Eu, como sempre,
Assumo as consequências
Faço o que ninguém faria
E sigo em frente...

O Diabo não é tão feio
Quando o encaramos face a face!
Isso eu já sei...
Mas você também precisa saber

Depois do confronto, a certeza
Nem um único beijo, a despedida
Minha mente vagueia livre
Finalmente alcança o Céu...

Enfim, posso caminhar triunfante
Por entre os restos de uma cidade adormecida
Saboreando sem pudor meu triunfo!
A redenção que a certeza me revela

Sigo, então, o rastro doce
Que ficou pairando pelo caminho
Doce como gosto de sangue
Doce como o sabor da minha vitória!

domingo, 12 de setembro de 2010

Poema de treva e luz

Quando quase não havia mais vida
O vento sopra novamente
Seu sopro quente em meus pulmões
E finalmente posso descobrir quem eu realmente sou

Eu sou aquela que te segue pela escuridão
Sempre pronta para te ajudar se você cair...
Por favor, olhe para trás!
Você consegue ver que não está só?

Serei tua jaula e teu consolo
Serei teu lamento e teu refúgio
Sentirei tua dor
Chorarei tuas lágrimas

Daqui em diante seremos assim:
Treva e luz convivendo em perfeita harmonia
Eu ilumino sua noite
E você escurece o meu dia



Amor que não diz adeus

Existem pessoas que passam por nós
Deixam suas marcas e depois vão embora...
Na minha vida foi sempre assim
E a gente tem que aprender a deixá-las ir...

Mas, derrepente aparece um anjo
E toma tuas dores
Dissipa tuas trevas
Está lá nos momentos de profunda solidão

Impossível evitar o amor...
Amor que aquece, amor que acolhe
Amor profundo e verdadeiro
E que eu sei que não irá embora...

Você sempre estará comigo
Será minha luz quando eu não mais enxergar
Serei teus pés quando não puder caminhar
Seremos necessários um para o outro...

E continuaremos assim
Rumo a eternidade...

Um rosto na escuridão


Tantas cores e luzes me cegam
Tantos risos me angustiam
Meu próprio riso me leva ao desespero
Depois, ao choro
E os gritos em minha mente
Que não consigo jogar fora?

Às vezes queria fugir de tudo
Simplesmente sair correndo para o nada
Olhando para tantos rostos...
Você está aqui
Mas não é nada do que vejo...

Você me roubou de mim
E a dor que isto causa me corrói por dentro
Destrói meus sentidos
Aniquila-me por completo

Mas em meio a multidão
Surge um rosto conhecido
Ele vem em minha direção
Então eu posso lembrar
Do quanto é bom sentir dor
E ver o sangue escorrer
Por entre o dedos de setembro

sábado, 11 de setembro de 2010

A primeira vez

Minha mente está vazia
Isso é tão estranho!
É como se estivesse sendo formatada
Para que a vida reinstale
Todos os programas novamente

Parece que alguém fez o backup
De todas as minhas lembranças
E eu que não costumo olhar para trás
Vejo os arquivos quase sem pressa...

Posso ver os meus erros, acertos
E tenho a chance de reprogramar tudo
Desta vez, sem falhas
Seguindo adiante sem hesitar
Rumo a primeira vez...