sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Primeiro


Vejo pedaços de espelhos pelo chão
Depois de passar a noite inteira a lhe procurar
Você percorrendo um labirinto
Como criança que brinca de esconde-esconde
E eu sempre em frente com a minha busca...

Tantas salas e corredores!
Sigo meus instintos mais do que meu coração
Quando finalmente abro a porta certa
Um portal para o submundo

O lugar está cheio de curiosos
Pessoas despreocupadas e felizes
Que parecem nem estar ali
Por um momento até me distraio com esta cena
Mas não foi para isso que vim...

Pedaços de espelhos pelo chão
O coração cada vez mais acelerado
Olho para o fundo da sala mais a direita
E levo um instante para acreditar...

Sim! Eu reconheço estes olhos...
Os olhos de um deus!
Parado ao lado de sua sepultura
Você olha para mim...

Nem sei como me aproximei
Só lembro de estar tão perto
A ponto de sentir seu cheiro doce
E o calor da sua pele

E quando sua boca esteve junto da minha
Perdi a noção de tudo
Vejo três símbolos tatuados em suas costas
Logo eu toco para saber se é real
E sinto mais uma vez
O cheiro inebriante da sua pele

Enquanto o êxtase me toma os sentidos
Recobro a lucidez por um momento
E então eu digo – Não!
Você não precisa fazer isso!

Seus olhos olham fixamente nos meus
E em meio a um cenário de terror
A imagem mais bela que eu poderia ver:
Em cima de um túmulo abandonado
Jazíamos nós dois sepultados
Em um abraço para toda a eternidade...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Acima e abaixo


Ajo por impulso
Por pura falta de juízo!
Porque sou inconsequente
Não conheço regras
Desprezo leis
Imprudência é o meu nome

Não respeito a ninguém
Não me importo com nada!
Amor é para os tolos
Compaixão é para os fracos
Fé, somente para os cegos
Esperança é para os ignorantes

O prazer é minha felicidade
Adrenalina é minha energia
É o que me faz voar livre
Durante o tempo que me resta
Nas asas da minha sensatez...

A quatro mãos



Por Franky Viper e Alessa Bernhard

A sombra do destino se esvai
E com minhas forças fico pedindo
Que você traga minha vida de volta
Rezando para que tudo que vi
Não passe de uma ilusão...

Adormeço na completa solidão
Porque você se foi
E levou tudo que eu realmente tinha!
Não lhe peço muito
Só quero que você me faça entender

Pois você me deu uma razão
Agora me deixa aqui perdida...
Então fico repetindo que sou forte
E quando me olho
Só vejo alguém de quem não gosto
Porque quem me fez tão bem
Acabou me destruindo!

Agora vejo que vivi
Estes instantes por nada
Criando sonhos e esperanças que foram
Apenas torres de maldição

O que aconteceu com meu coração?
Onde tudo aquilo que olho e penso
Tornam-se lembranças de um passado
Que não quero na minha vida...

Vampirismo


Sangue pútrido!
Sangue fétido!
Não mereces minha boca
Nem meus dentes afiados
A te sugarem sem compaixão

Teu gosto é gosto de podridão!
Mesmo assim te beberia
Até a útima gota
Porque também não mereces dar vida
A um ser tão estúpido!

No pain for the dead






Os dias passam calmos e dolorosos
A espera parece infinita
Os ponteiros correm lentamente
Segundo a segundo... minuto a minuto...

O calor desconcertante não impede
Que eu trema diante de cada calafrio
Que sinto enquanto penso angustiada
Em tudo que pode ter acontecido...

A vida está em silêncio absoluto...

Como um cadáver que apodrece
Como um amor que adormece
Como a dor que cala fundo
A felicidade que você deixou em mim

Você extinguiu meu sorriso
E deixou uma lágrima constante
Que não cai e nem seca...
E essa dor que não tem fim?

O que faço com ela
Agora que você se foi?
Vou trancá-la em meu peito
Junto com o amor que lhe devoto

Quem sabe um dia
Essa dor silencie
E passe a ser somente mais uma
Das muitas sombras que aguardam
A hora exata para um golpe fatal!

Tormenta


Quem me jogou nesse mar
Sabia exatamente o que estava fazendo
Deixou-me aqui para morrer sozinha
Já que eu não sei nadar...

não vejo mais o céu
Ainda não posso tocar o chão
Mesmo tendo os olhos abertos
Tudo que vejo é escuridão

Não há luz...
Não há nenhuma luz...
Afundando nesse abismo
Parece até que estou voando...
Um vôo dentro d'água!
Você sempre soube que eu não sabia nadar
Então por que me deixou aqui?

Sempre afundando...
Sempre afundando...
O ar já me faz falta
Não sei por quanto tempo mais
Poderei prender a respiração

Nem sei porque ainda resisto
Por que não começo logo a engolir
Essa água negra e podre que me cerca?
Você me traiu e me abandonou!
Somente isso deveria importar...

Talvez eu espere que você se arrependa
E volte para me salvar
Vejá só!
(risos)
Ainda continuo sendo a mesma idiota!

É chegada a hora...
Não posso mais prender a respiração...
Tudo que eu sei é que...
Adeus...
Eu amo você...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Superfície


Primeiro era um pressentimento
Eu sabia que você poderia mudar minha vida...
Então você me descobriu e agora
Posso me ver exatamente como sou

Como é que você consegue
Tocar-me sem me tocar
E sem que ao menos eu precise
Ouvir o doce som da sua voz?

Minha pálida pele não evidencia
As chamas que ela esconde por dentro
Como pode então a água pegar fogo?

Mil noites em claro não serão
Suficientes para me conter
Nem extinguir este furor
Em que me encontro agora e para sempre

Desejos impiedosos que atordoam minha mente
E traspassam meu corpo
Fazendo-me em mil pedacinhos
Que você terá que juntar, um por um
Todos os dias, tudo de novo

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Reflexo



Vejo-te assim como me vês
Amo-te assim como me amas
Nem mais, nem menos
Nem muito ou pouco
Pois o amor basta a si mesmo
E não pode ser medido

Deste-me mais do que eu tinha
E muito mais do que eu esperava
Deste-me até mesmo o que eu não queria
E o que eu achava que não precisava

Mais que tudo isso
Deixaste-me livre para escolher, decidir
E até agora, por vezes, pergunto-me
Se alguma vez, alguma coisa eu te dei

Certamente, encontrei alguém tão lúcido quanto eu !
Ou seria tão louco quanto ?

Só sei que quando olho pra mim mesma
Vejo que estou diferente
Toda manhã uma feliz surpresa:
Um enorme sorriso em um reflexo no espelho

Sorriso que é reflexo da tua presença
Tão marcante e real, mesmo na distância
Reflexo do amor que me dás
Sem que eu precise pedi-lo

Então olhe, veja...
Pois este sorriso te pertence
E mesmo em meio as maiores dores
Ele continua lá

Porque meu amor é teu ...
Porque também sei que estás ao meu lado...
E é tão bom, mesmo em meio a toda essa loucura
Saber que, finalmente, descobri o que é estar em paz!